Sistro: o chocalho de Hathor na procissão do templo
Um sistro é um chocalho ritual do culto nos templos do antigo Egito. Tem cabo e uma armação em U ou em santuário, com travessas que tilintam quando se sacode. Sacerdotes e sacerdotisas tocavam sistros nas procissões de deusas como Hathor, Ísis e Bastet. O som não era só divertimento. Os egípcios tratavam-no como modo de saudar os deuses, de os acalmar e de marcar o espaço sagrado.
Armação em naos, aro e Hathor no topo
Dois tipos principais restam nos museus. O sistro de naos modela o topo como um pequeno santuário (naos em grego), por vezes com o rosto de uma deusa no cabo. O sistro de aro, ou de arco, usa um laço de metal fino, com barras e anéis que correm. Os cabos podem acabar numa cabeça dupla de Hathor, num gato de Bastet, ou numa figura de Bes, o deus anão que protegia mães e músicos.
As palavras egípcias incluem sekhem e sesheshet, as duas a ecoar o sibilo e o tinir das barras. Escritores romanos que viram cultos de Ísis fora do Egito reconheciam o sistro de imediato como o seu emblema. Apuleio, no século II d.C., descreve um sacerdote a sacudir um sistro três vezes seguidas numa procissão, um ritmo que estudiosos de hoje comparam à música de templo notada.
Do aviso no pântano à orquestra do templo
Uma história de origem liga o instrumento aos pântanos de papiro. Os fiéis agitavam canas antes de entrar em zonas húmidas onde se criam que viviam vacas selvagens e deusas cobra: um aviso cortês de que vinham humanos. O hábito passou a instrumento de metal, associado a Hathor, a deusa vaca da alegria, da música e da fertilidade.
No Reino Antigo e no Reino Médio, os sistros aparecem em cenas de banquete e de vida do dia a dia, além dos templos. A partir da 18.ª dinastia, o uso apertou-se em torno do culto formal. No Período Tardio e no período ptolomaico, sistros de faiança com nomes reais eram dedicados em depósitos de templo, como oferendas. As colunas de Dendera até imitam a forma do sistro, e tornam a arquitetura como música parada em volta do santuário de Hathor.
Deusas, reis e o som que abre o santuário
Ihy, filho de Hathor, era chamado o tocador de sistro, personificação do júbilo. Bastet, como deusa gata, segura muitas vezes um sistro nas estatuetas de bronze. Ísis levou o chocalho quando o seu culto saiu do Egito para a Grécia e a Itália. Em cada caso, sacudir o sistro acompanhava a abertura das portas do santuário, o despertar do ba (o espírito) da deusa e a proteção do caminho da procissão.
Os reis tocavam por vezes o sistro nas festas, ao apresentar oferendas a Hathor. O gesto mostrava o faraó como sacerdote-mor, não só como guerreiro ou juiz. Os exemplares de faiança com o nome de um soberano eram, ao que parece, ofertas de templo, não ferramentas de músico do dia a dia. A peça ligava a autoridade política ao favor divino pelo som.
Um sistro de faiança para Ptolomeu I
O Metropolitan Museum guarda um sistro de faiança inscrito com o nome de Ptolomeu I (objeto 50.99), datado de 305–282 a.C. Tem cerca de 26,7 cm de altura e 7,5 cm de largura. O museu nota que os sistros de faiança com nomes reais parecem oferendas de templo, ligadas a grandes deusas.
A peça é do período ptolomaico, quando reis gregos da Macedónia adotaram o rito do templo egípcio. Um nome grego num chocalho de faiança mostra até que ponto o sistro pertencia ao culto da terra, mesmo quando mudava a casa que governava. Sistros de bronze semelhantes, do período romano, restam no British Museum, alguns com Bes no cabo e uma cabeça de Hathor a formar o capitel debaixo da armação.
Bronze, faiança e os limites do silêncio
Os sistros de bronze aguentam muitas vezes melhor do que os de madeira ou de faiança, embora muitos tenham perdido as travessas ainda na Antiguidade. Depósitos de templo em sítios como Dendera e Deir el-Medina deram fragmentos às centenas. Os musicólogos ainda discutem o volume: um brilho suave dentro do santuário, ou um tinir agudo que se ouvia no pátio, na procissão.
O som não fossiliza. As reconstruções assentam em instrumentos que restam, em cenas de túmulo e em textos. Uma barra partida ou um anel em falta, numa peça de museu, pode ser desgaste, enterro ritual ou dano moderno. A datação junta inscrição, estilo e sítio do achado. Um sistro sem proveniência é ornamento; um sistro de uma vala de templo com etiqueta é prova.
Na tua cena
Coloca um sistro na mão de uma sacerdotisa ou encostado a um santuário de Hathor: o culto ativo do templo lê-se melhor do que um túmulo selado. Junta-o a incenso e a uma tocha baixa, para atmosfera de procissão. No pack Egyptian Tomb Relics há um modelo de sistro, para antecâmaras de santuário e cantos rituais.