Cong de jade: quadrado por fora, redondo por dentro
Em volta do lago Tai, no baixo Yangtzé de Zhejiang e Jiangsu, uma elite do Neolítico tardio descia à terra debaixo de um peso de jade. Nas sepulturas de alto estatuto os escavadores acham um tubo de paredes quadradas e furo circular, no mesmo conjunto em que aparece um disco chato. Autores mais tarde diriam que o quadrado é a terra e o círculo o céu. Fica em aberto se quem primeiro talhou esses tubos pensava assim. Um cong é esse tubo: nefrite, quadrado por fora, redondo por dentro, muitas vezes com máscaras ténues nos cantos.
Paredes quadradas, furo redondo e máscaras nos cantos
O carácter chinês é 琮. Em pinyin moderno escreve-se cong (também cóng). Catálogos antigos usam a grafia Wade-Giles ts'ung, que a Britannica ainda lista. A Britannica descreve um cilindro oco, ou um cone truncado, metido num corpo rectangular. O texto de conservador do Met é mais apertado: um tubo cilíndrico encerrado num prisma quadrado que estreita de leve de cima para baixo.
Olha pelo eixo. Paredes de fora quadradas. Um furo redondo. O artigo de jade da World History Encyclopedia diz o mesmo par: forma tubular circular dentro de um quadrado, por vezes com entalhes, por vezes com círculos pequenos, e em alguns exemplares até 30 cm de altura e 15 cm de largura.
Os cantos levam as caras. O Met chama-lhes máscaras simples, com olhos circulares e uma barra de boca. A nota de áudio do objeto 2004.52 acrescenta uma barra oval que se lê como nariz, em colunas, tão gasta que podes precisar de uma lupa. Não são retratos.
Um bi é o outro jade das mesmas sepulturas: um disco chato com um furo. A World History Encyclopedia trata cong e bi como o par famoso de Liangzhu, um cilindro e um disco. O disco é um plano. O cong é um prisma. A Britannica acrescenta que a forma vai do baixo ao bem alto. Um registo curto e uma torre de vários andares partilham o nome, não a silhueta.
O jade Liangzhu à volta do lago Tai
O Met data a cultura Liangzhu por volta de 3200–2000 a.C. e põe o tipo na costa leste da China. A World History Encyclopedia usa cerca de 3400 a 2250 a.C. e centra as gentes em volta do lago Tai, por Jiangsu, a sul até Hangzhou em Zhejiang, e a leste na direcção de Xangai. Nomeia Mojiaoshan em Zhejiang e Sidun em Jiangsu como sítios maiores. Os intervalos sobrepõem-se. Não batem ano a ano.
Jade, aqui, quer dizer nefrite. A World History Encyclopedia, a citar Gina L. Barnes, diz que os artefactos Liangzhu em jade verdadeiro são nefrite. O relato de Judith Treistman, citado no mesmo artigo, é de desgaste: areia abrasiva num meio húmido ou oleoso, bambu a furar os orifícios circulares de pulseiras e de bi.
O jade fino fica nas tumbas dos ricos. A cerâmica era o espólio dos pobres, se alguma havia. A guia de áudio do Met sobre o 2004.52 faz o mesmo ponto: o tamanho e o trabalho marcam riqueza e estatuto. Uma peça desta escala pesa cerca de oito a dez libras, grosso modo 3,6 a 4,5 kg. É pesada demais para se usar no pulso. A cultura some do registo por volta de 2250 a.C. na narrativa da World History Encyclopedia, muito provavelmente depois de cheias.
Ofertas de sepultura, não ornamentos para o pulso
A Britannica chama ao cong um utensílio ritual de cerimónias de sacrifício e de enterro, e nota que alguns exemplares são de pedra, não de jade. O Met é mais cauteloso. A forma é enigmática. O museu mesmo assim põe estes tubos em tumbas e trata como leitura razoável um papel protector para os mortos. A World History Encyclopedia diz que cong e bi aparecem em grande número como oferendas das classes altas. Um tubo alto de vários andares é um prisma que se pousa ou se deita com o corpo, não joalharia do dia a dia.
As máscaras dos cantos ficam por ler. A World History Encyclopedia nota que alguns jades Liangzhu já trazem uma máscara zoomórfica a que escritores posteriores chamam taotie, um motivo em geral ligado ao bronze Shang. O Met não dá esse salto no 2004.52. Fica-se pelos olhos, as barras e o nariz.
Cópias Shang e uma leitura posterior do céu e da terra
Liangzhu não teve a última palavra sobre a forma. A Britannica diz que o tipo começa no Neolítico tardio e rareia depois das dinastias Shang e Zhou. O relógio mais antigo da enciclopédia imprime Shang como o século XVIII ao XII a.C. e Zhou como 1111 a 256 ou 255 a.C. A World History Encyclopedia data os Shang de 1600 a 1046 a.C. Depois dessas dinastias ainda há tubos. A forma é que rareia no chão.
A viragem não é uma tumba nova. É uma ideia mais tarde. A cosmologia chinesa posterior gostava de uma terra quadrada debaixo de um céu redondo. Elizabeth Childs-Johnson e outros, como relata a World History Encyclopedia, lêem o cong como terra e o bi como céu. A enciclopédia imprime também a objecção: não há texto Liangzhu que o diga, e o motivo terra-céu costuma datar-se dos Shang em diante. A leitura tenta. Não podes provar que os lapidários a usavam.
O cong de 25,4 cm do Met, objeto 2004.52
Um tubo alto que ainda podes estudar numa ficha de museu é o objeto ritual (cong) do Metropolitan Museum of Art, 2004.52. A página da colecção data-o por volta de 2400 a.C., dentro de Liangzhu, cerca de 3200–2000 a.C. É nefrite. Tem 25,4 cm de altura e 7 cm de largura. O museu comprou-o em 2004 com um donativo de Sir Joseph Hotung. A página lista-o neste momento como não exposto.
O texto de conservador bate com o tipo: prisma quadrado, furo circular, um estreitar suave, máscaras simples nos cantos. O áudio chama-lhe um dos jades neolíticos chineses maiores e mais complexos que chegaram até nós, com colunas de caras abstractas tão gastas que quase somem. Oito a dez libras. Pesado demais para o pulso. A legenda chinesa é 新石器時代良渚文化 玉琮. Contra a nota de tamanho máximo da World History Encyclopedia, cerca de 30 cm por 15 cm, esta peça do Met é alta e estreita, não um cong baixo.
O que os livros posteriores ainda não provam
As contagens são frouxas. O áudio do Met diz que só uns poucos deste período sobreviveram. A World History Encyclopedia fala de grandes números em sepulturas de elite sem imprimir um censo.
A leitura do céu e da terra continua a ser um verniz posterior. As máscaras ficam sem nome. A linha da Britannica sobre sacrifício e enterro é uma classe de uso, não uma liturgia. Não temos uma frase Liangzhu que diga quem eram as caras, se um oficiante segurava o tubo, ou se só o morto o guardava. Um cong de jade é um tubo ritual chinês do Neolítico, no seu melhor em Liangzhu, quadrado por fora e redondo por dentro, muitas vezes com máscaras empilhadas nos cantos, enterrado com mortos de alto estatuto ao lado do disco a que se chama bi. Dinastias posteriores copiaram a forma. Livros posteriores deram-lhe um cosmos. A pedra na tumba não confirma o livro.
Na tua cena
Um cong alto lê-se como um prisma ritual empilhado, não como um disco e não como uma pulseira curta de jade. Mantém o exterior quadrado, o furo circular e as máscaras em baixo-relevo em cada canto de cada andar. No pack Chinese Ritual Relics há um cong de jade estilizado, de vários andares, para tumbas, altares e conjuntos de corte.