Jade Hongshan: o dragão em C do Neolítico do Nordeste
Em 1971, um lavrador em Saqintala, no estandarte de Ongniud, a leste da Mongólia Interior, tirou do sulco um gancho de jade verde-escuro. Tinha focinho comprido, uma crina puxada para trás e nenhuma pata. A World History Encyclopedia chama a esta peça em C a mais antiga imagem conhecida de um dragão, e o Museu Nacional da China, em Pequim, é quem a guarda. Fica em aberto se a mesma criatura ia no peito dos mortos em Niuheliang, o grande cemitério Hongshan tardio em Liaoning.
Corpo em gancho, crina ao vento e o nome 玉龙
Um dragão de jade Hongshan em C, 玉龙 nas legendas chinesas de hoje, é um gancho sem membros, em pedra polida. O Museu Nacional da China descreve o seu exemplar como jade de Xiuyan verde-escuro, com 26 cm de altura, focinho comprido, olhos estreitos, crina a flutuar e o corpo enrolado como um gancho. O focinho acaba numa face truncada, com duas narinas lado a lado. O museu nota que esta cabeça se pode ler como a de um porco.
O primo mais grosso é o 玉猪龙, o porco-dragão de jade, também chamado zhulong. A World History Encyclopedia descreve-o como um jade Hongshan com cara e focinho de porco e corpo de serpente. O gancho de Saqintala é outra silhueta: corpo mais longo, C aberto, crina em vez de orelhas redondas e pesadas.
Os dois cabem na mão. Nenhum é estátua de palácio.
Do sítio de Hongshanhou às cristas de Niuheliang
Hongshan é uma cultura neolítica do nordeste da China. Num artigo, a World History Encyclopedia data os dragões de jade esculpidos nos seus sítios por volta de 4500–3000 a.C.; noutro, data a cultura em 4700–2900 a.C. O Metropolitan Museum of Art puxa Hongshan para mais tarde, cerca de 3500–2000 a.C., e diz que a cultura só se tornou conhecida nos anos 1980. As fontes não batem certo num ano de início.
O nome vem de Hongshanhou, um sítio em Chifeng, na Mongólia Interior. O território corre pelo leste da Mongólia Interior e pelo oeste de Liaoning. Num ensaio de 2025 no UNESCO Courier, Liu Guoxiang data a cultura há cerca de 6500 a 5000 anos.
Niuheliang fica em Chaoyang, Liaoning. Liu descreve-o como o maior centro funerário e ritual do Hongshan tardio, encontrado no início dos anos 1980, com cerca de 50 km² (uns 5000 hectares). A cronologia Heilbrunn do Met nomeia o Templo da Deusa em Liaoning, e esculturas de barro de mulheres ali e em Dongshanzui. Foi aqui que se abriram sepulturas forradas a lajes e se achou jade sobre o corpo.
Jade no peito, numa sepultura de pedra
A placa Hongshan do Met (objecto 2009.176) dá o cenário habitual: estruturas cerimoniais em rocha, sepulturas forradas a lajes, e jades trabalhados que eram muitas vezes o único bem do túmulo. A placa é nefrite, com 7,3 cm de altura e 9,8 cm de largura, com furos nas costas e no centro do cimo. O museu diz que pode ter sido um ornamento, e que a função exacta ainda não se lê.
Os porcos-dragão encaixam melhor neste cenário do que o gancho saído do arado. O ensaio de Liu abre com um jade enrolado dum túmulo de Niuheliang: cabeça de porco, corpo em espiral. Em julho de 2024, em Yuanbaoshan, no estandarte de Aohan, Chifeng, os escavadores tiraram doutro túmulo em montículo de pedra um dragão enrolado com 15,8 cm de altura, em jade tremolite, ao lado dum ornamento em forma de casco e duma peça tipo toucado.
Liu liga os dragões de jade à chuva e à colheita, em terra seca e de colinas. A World History Encyclopedia, a escrever sobre a China mais tardia, também liga os dragões à chuva e nota que muitos jades antigos são circulares. Esses ritos posteriores não provam a intenção do lapidador Hongshan. O que está seguro é o sítio: jade de elite, muitas vezes ao pescoço ou sobre o morto, num recinto cerimonial que também tinha um templo da deusa.
Quando o enrolado e o C se separam
Os enrolados de Niuheliang e de Yuanbaoshan são porcos-dragão: cabeça grande, orelhas redondas, corpo que quase se fecha sobre si. A peça de Saqintala é um 玉龙 em C: gancho mais fino, crina puxada, focinho comprido. Liu regista um segundo C, um jade amarelo de Dongguaibangou, no mesmo estandarte, saído da terra em 1949 e hoje no Museu de Wengniuteqi. O gancho de jaspe de 1971 foi para Pequim.
As legendas populares achatam os dois em «o primeiro dragão da China». O Museu Nacional da China dá essa fama à sua peça em C. A World History Encyclopedia diz que a mesma escultura aparece em logótipos e em cartazes no aeroporto de Pequim. Essa fama é do gancho da Mongólia Interior. Niuheliang é o coração cerimonial do Hongshan tardio. Não é o sítio de achado do C de 26 cm.
O dragão em C de 26 cm em Pequim
O objecto que ainda podes estudar em fotografias publicadas é o Jade Dragon do Museu Nacional da China. A legenda da imagem na World History Encyclopedia põe-no em Pequim, Hongshan da Mongólia Interior, e data-o entre 4500 e 3000 a.C. A página inglesa do museu dá os números: Neolítico, cultura Hongshan, 26 cm de altura, jade de Xiuyan verde-escuro. Focinho comprido. Olhos estreitos. Crina a flutuar. Corpo enrolado como um gancho.
A página não imprime número de túmulo. Liu conta o achado no campo: lavradores a arar em Saqintala, em 1971. Por isso a peça é um destaque «entregue», não um achado túmulo a túmulo como Yuanbaoshan. O museu compara a cabeça a um porco. Não fecha a discussão.
A placa do Met, na Galeria 207, é mais pequena, mais chata, e não é um dragão. Continua a mostrar o mesmo ofício: nefrite, furo para prender, Hongshan. Pequim guarda o C famoso. Niuheliang, nos registos aqui usados, é o sítio do enrolado e do templo da deusa.
Pedra de Xiuyan, datas em conflito e o que fica em aberto
O nome da pedra já é disputa. O Museu Nacional da China chama ao dragão de Pequim jade de Xiuyan. Liu diz que os jades de Yuanbaoshan são sobretudo tremolite de Xiuyan, em Liaoning. O Met rotula a sua placa como nefrite. Trata «jade» como a pedra dura do lapidador.
Nenhuma fonte daqui dá um total único de ganchos em C ou de porcos-dragão. Chuva, culto dos antepassados, estatuto e um totem long mais tardio são propostas. O Met é directo sobre a sua placa: falta mais arqueologia. É o tom certo também para os dragões. O que está seguro é mais estreito. A gente Hongshan lapidou criaturas pequenas de jade, com cabeças de porco e corpos enrolados ou em gancho, e pôs muitas delas em sepulturas de lajes. O dragão em C que está em Pequim é uma dessas criaturas, da Mongólia Interior, 26 cm de pedra verde-escura. Os mortos de Niuheliang levavam um enrolado mais grosso.
Na tua cena
Um dragão de jade Hongshan fica no corpo ou num altar pequeno, não num portão de palácio. Mantém a curva em C e a crina puxada se quiseres o gancho da Mongólia Interior que Pequim tornou famoso. Usa um enrolado mais grosso, quase fechado, se a cena for uma sepultura de Niuheliang. Para um conjunto chinês completo, vê Chinese Ritual Relics.