Ding de bronze: a panela que deu de comer aos antepassados
Um ding é uma panela de ritual chinesa, de bronze ou de barro, com duas asas no bordo e três pernas ou quatro. Servia para oferecer comida aos antepassados do clã. No Shang, ao longo do Rio Amarelo no Henan, a corte não fundia cobre só para a guerra. Cozinhava também para os mortos. Carne e cereal iam para o pote; o lume cabia por baixo, entre as pernas.
Duas asas, três pernas ou quatro
A Britannica chama-lhe recipiente de cozinha ou de guarda. A forma mais vista é redonda, de três pernas. O fang ding, a que a mesma entrada chama "tripé quadrado", é uma caixa quadrada ou rectangular sobre quatro pernas. A peça do Met que se percorre abaixo, e o modelo Wildform, são fang ding. Quando uma ficha escreve só "ding", quase sempre aponta para o pote redondo, não para esta caixa.
Há ainda o li-ding: o corpo incha onde encontra cada perna, como o li mais antigo. O desenho vive no corpo. Máscaras taotie grandes, muitas vezes dois perfis de animal que se encontram no nariz. As pernas ficam mais lisas.
Do barro neolítico ao bronze shang
O formato é mais velho do que o metal. A Britannica segue ding de barro pelo Neolítico, cerca de 5000 a 2000 a.C., e ding de bronze pelos Shang e Zhou. O Met põe a dinastia Shang em cerca de 1600 a 1046 a.C. A ficha de ding da Britannica ainda imprime outro arco: Shang do século XVIII ao XII a.C., Zhou de 1111 a 256 ou 255 a.C. O ensaio Heilbrunn do Met data os Zhou de 1046 a 256 a.C. e o Zhou Ocidental de 1046 a 771 a.C. Os intervalos não batem certo. O tipo de recipiente durou nas duas dinastias. O que muda é o século que cada catálogo escreve.
O Heilbrunn descreve a fundição em molde por peças: um modelo, um molde de barro tirado desse modelo e cortado em secções, um núcleo para o oco. Até pelo menos ao fim do Shang, diz o ensaio, este era provavelmente o único método na China. O fundidor gravava ou estampava o taotie na face interior do molde. Daí o relevo tão nítido.
Carne, cereal e a sala ancestral
Primeiro era uma panela. Cleveland, a propósito de um ding do Zhou Ocidental, fala de cereal e carne oferecidos aos espíritos ancestrais em ritos de sacrifício e de funeral. A Britannica põe o mesmo tipo de recipiente em cerimónias divinatórias, ou no túmulo como utensílio espiritual (mingqi). Os vivos cozinhavam. Os mortos ainda eram parentes com fome.
Quando a panela passou a ser um grau
A Britannica é clara: o número de ding que uma pessoa tinha dependia do seu lugar na hierarquia. Cleveland acrescenta que o ding se tornou sinal de poder e de legitimidade. Os fundidores queriam que o bronze fosse "guardado por dez mil anos, por filhos de filhos e netos de netos".
A mesma panela que aquecia a carne também media a tua altura. Muito depois das cortes shang, os catálogos ainda copiaram a forma em bronze e em cerâmica vidrada.
O fangding do Met cuja tampa é uma mesa
A peça para estudar é o caldeirão rectangular com tampa de pé do Metropolitan Museum of Art, objecto 43.25.2a, b, na galeria 207. O Met data-o no século XI a.C., no Shang (o arco da dinastia no museu é cerca de 1600 a 1046 a.C.). É um fang ding: caixa de bronze rectangular, quatro pernas, 33 cm de altura, 22,9 cm de largura, 31,8 cm de profundidade. O bronze tem incrustação preta. Comprou-se com o Rogers Fund em 1943.
A tampa é que surpreende. Virada ao contrário, funciona como mesa de servir (zu). O mesmo signo de clã está fundido na parede interior do recipiente e na face de cima da mesa. Quatro pernas, corpo em caixa: fang ding, não o ding redondo de três pernas. É esta a forma do modelo Wildform.
Taotie, juntas de molde e o que o metal ainda não diz
O Heilbrunn admite o vazio: ninguém sabe o que o taotie queria dizer no Shang. Há olhos fixos, nariz, muitas vezes cornos e presas. Cleveland lê o olhar como feito para meter medo. A Britannica chama-lhe máscara de monstro. Nenhuma destas frases é uma legenda shang. O Heilbrunn fala do chamado taotie. Nas fichas do Met e de Cleveland não há texto shang que diga o que o fundidor via na máscara.
Quando há inscrição, pode nomear um clã. No fangding 43.25.2 o mesmo signo aparece no pote e na tampa virada. Muitos recipientes não têm letra nenhuma. Se a Britannica e o Met imprimem datas Shang e Zhou diferentes, trata-as como hábito de catálogo, não como duas histórias do mesmo pote.
O que fica seguro é pouco e basta. O ding cozia comida para os antepassados. O fang ding é a caixa de quatro pernas dessa panela. O grau colou-se depois a quantos tinhas. A máscara na parede ainda não fala.
Na tua cena
Um ding de bronze pede altar ou sala ancestral, não o chão da cozinha. Se quiseres a forma rectangular de quatro pernas, mantém o corpo em caixa e as asas em par: isso é fang ding, não tripé redondo. O pack Chinese Ritual Relics tem o conjunto ritual chinês.