O capacete de Gjermundbu: o único elmo viking completo de Ringerike
O capacete de Gjermundbu é um elmo redondo de ferro de um túmulo de cremação da era viking em Ringerike, na Noruega. É o capacete mais completo conhecido dos séculos viking, restaurado a partir de nove fragmentos achados em 1943. Ao contrário dos elmos com chifres da ilustração moderna, a peça real tem um protetor nasal curto, um visor em forma de óculos sobre os olhos e as maçãs do rosto, e argolas na nuca que outrora seguravam uma cortina de cota de malha. Pesava cerca de 1,5 kg e pertencia a um guerreiro montado abastado, enterrado com espadas, lanças, cota de malha e arreios.
Visores em óculos, quatro chapas de ferro e o protetor nasal
Os arqueólogos classificam o capacete de Gjermundbu como tipo «óculos» porque uma só faixa forjada envolve os olhos e as faces como um par de lunetas. O nasaleiro é curto e está soldado a essa faixa, e não erguido sozinho na testa. Quatro chapas de ferro formam a calote, rebitadas num padrão aparentado com elmos anteriores de Vendel e anglo-saxónicos, mas à escala de um cavaleiro escandinavo do fim do século IX ou do século X.
Argolas de ferro pequenas na parte de trás da orla mostram que a malha pendia do capacete para proteger a garganta. A World History Encyclopedia nota que o visor do achado de Gjermundbu teve, outrora, tiras estreitas de incrustação de bronze ou prata, hoje perdidas pela corrosão. O topo da calote sobe a um espigão baixo de ferro, uma crista comum em elmos do início da Idade Média. Nada no achado sugere chifres; esses pertencem à ópera do século XIX, não ao espólio debaixo da relva de Ringerike.
Dos protótipos de Vendel a um sobrevivente viking solitário
Os capacetes nunca foram comuns em túmulos viking. Abriram-se dezenas de milhares de sepulturas na Escandinávia, e mesmo assim os elmos completos contam-se pelos dedos de uma mão. A World History Encyclopedia explica que gorros de couro e de tecido protegiam provavelmente a maior parte dos combatentes, enquanto as calotes de ferro ficavam como peças de luxo, forjadas por ferreiros hábeis.
Elmos «de óculos» mais antigos aparecem na Suécia do século VII, em Vendel e Valsgärde, muitas vezes em enterros em barco de casas de elite. O exemplo de Gjermundbu leva essa tradição até à era viking, mas quase nenhum outro enterro viking deu um elmo equivalente. O famoso capacete crestado de Sutton Hoo está na Ânglia Oriental um século antes; Gjermundbu mostra como a forma persistiu na orla setentrional da guerra de elite. A datação do túmulo não se fecha num só ano: os resumos publicados vão do fim do século IX até cerca de 970 d.C., conforme a tipologia e o contexto da cremação.
Enterro a fogo, lanças no ferro e o equipamento de um cavaleiro
O capacete veio da quinta de Gjermundbu, perto de Haugsbygd, no Buskerud, onde Gunnar Gjermundbo nivelava terreno para um pomar em março de 1943. Bateu numa camada de cremação dentro de um monte de relva e parou de cavar. Sverre Marstrander e Charlotte Blindheim, da Universidade de Oslo, escavaram dois montes ligados nas semanas seguintes, catalogados como túmulo I e túmulo II sob o número de museu C27317.
O morto foi cremado com armas e equipamento de cavaleiro: espadas, machados, lanças, umbos de escudo, estribos, esporas, cota de malha, peças de jogo e utensílios de cozinha. Relatos de museu descrevem o capacete como danificado de propósito para o funeral, trespassado uma vez por cada ponta de lança do túmulo. Esse gesto encaixa num padrão mais largo de partir espadas e entortar escudos, para o espólio não ser reutilizado de ânimo leve. O enterro lê-se tanto como declaração de prestígio quanto como proteção para o além.
Ver o elmo restaurado em Oslo hoje
Os visitantes veem o capacete restaurado no Museu de História Cultural em Oslo, exposto com o resto do espólio de Gjermundbu. De pé diante da calote, o peso torna-se crível: as chapas são espessas, as barras dos óculos estreitam o campo de visão, e os ganchos de malha atrás lembram que o portador confiava no ferro na cara e na malha na nuca. Os conservadores juntaram os nove fragmentos depois da escavação; os vãos e as linhas de reparação fazem parte da biografia honesta do objeto.
A mesma vitrina guarda muitas vezes a cota de malha do túmulo, um dos poucos exemplos da era viking com local de achado documentado. Juntos, argumentam que este homem cavalgava, lutava à distância de lança e podia pagar equipamento que a maior parte dos lavradores nunca tocou. A cultura popular enche ecrãs de saqueadores de capacete; a arqueologia sussurra que só uma elite fina possuía tal peça.
Porque sobrevivem tão poucos elmos viking, e o que os estudiosos ainda discutem
O ferro corrói. O couro apodrece. Muitos «capacetes viking» em gavetas antigas de museu revelaram-se peças mal datadas ou fantasias modernas. Gjermundbu sobreviveu porque a cremação e o solo do monte preservaram fragmentos tempo bastante para conservadores do século XX os salvarem. Outros túmulos podem ter tido elmos que se dissolveram por completo, ou as famílias podem ter passado armas de geração em geração em vez de as queimar.
Os investigadores ainda discutem a rede do homem: uns ligam o equipamento de equitação a modas de cavalaria continental, outros à ostentação de um chefe local. Estudos de ADN e de isótopos em osso cremado são aqui mais difíceis do que em esqueletos inumados. O que é seguro é a forma do capacete, as marcas de dano e o seu lugar como referência que toda a reprodução, incluindo modelos de jogo, deve citar.
Na tua cena
Coloca um elmo com visor em óculos no lugar de honra ou num suporte de armas de uma casa longa, não em cada saqueador do fiorde. Junta-o a um monte de navio funerário ou a arreios, para marcar um posto de elite. No pack Viking Hall Relics Vol. 2 há um modelo de capacete ao estilo Gjermundbu, para salões de festa e interiores de chefe.